Domingo, 26 de Janeiro de 2014.
18:39’ Horário de Verão.
Em:
Volta Grande, The Venus Garden, a granja onde moro e da qual
ajudo a cuidar.
Falando Amantis.
Nós realmente prometemos muito na última postagem:
“Nós traremos, neste Capítulo 8, meios possíveis ao leitor de se
encontrar e construir (pouco a pouco, passo a passo) um sentido, seja a partir
de escritos, desenhos, canções, vídeos, grafitis, qualquer meio.”
Esta
foi realmente uma grande promessa que nós, confessamos, não seremos capazes de
cumprir no momento.
Eu
realmente conheço os tais meios interpretativos que disse ser capaz de passar a
você, querido leitor, para que construa um sentido mais profundo em sua vida,
e, acredite-me, esta é minha meta.
Não
faço este blog para mim. Poderia continuar nos meus cadernos, que me dão muito
mais prazer e envolvimento.
Mas
selei um compromisso, e este é contigo, amigo leitor.
O
outro compromisso também prossegue– o de buscar pelo contato com a energia
cósmica (divina), ou a “metade de mim” – ou qualquer nome que se queira chamar –
asseguro a você que a lista é enorme,
que esta ideia de “Anjo Guardião” é antiga e universal nas culturas humanas,
com as variações inevitáveis relacionadas a cada uma delas.
E
ele é simbolizado pelo Sol, indubitavelmente, mesmo que seja, como disse
Crowley, um “Savitri”, isto é, um Sol Interior.
Mas
para falar de tudo isto preciso me preparar, para fazer direito, amigo leitor.
Vamos,
enfim, à Grande Bomba, que justificou o título desta postagem.
Minha
Kaya acabou. Posso ir atrás de mais, embora confesse, estou FARTO dessa vida.
Eu
gosto da Kaya, creio que a amo, mas o que se tem de passar para consegui-la é, numa
palavra, ultrajante.
Como
cidadão brasileiro gostaria, e muito de ser melhor tratado, como o cidadão
holandês, como o cidadão Uruguaio e, agora, quase a metade dos cidadãos
norte-americanos; mas estamos numa sociedade bárbara - na visão dos verdadeiros experts - e temos de ser pacientes quanto a isto, como
já foi dito pelo próprio Aleister Crowley.
Este
é apenas um dos aspectos da questão. O outro, e que talvez interessará mais ao
leitor é que eu estou pensando em largar a Kaya.
No
ano passado tentemos, foi um genuíno pesadelo, entramos no álcool e nossa vida,
ao invés de melhorar, piorou, e muito.
Este
inferno durou um mês ou mais, e a falta ainda se fazia sentir.
Então,
voltamos à Kaya (maconha) e nossa vida melhorou.
Isto
foi bom. Sem a energia da Kaya não teríamos como montar a Festa do Universo, um
evento que estamos trazendo para a Terra.
E
eu, com toda certeza, permaneceria com ela não fosse o fato desta planta, com
poderes anti-depressivos, fosse proibida
na sociedade bárbara (inculta e brutal) onde atualmente vivo e convivo.
Foi
num momento de suma insatisfação que eu resolvi parar.
Depois,
veio algo em minha ajuda: de que valem minhas ideias e sugestões se eu vivo
permanentemente sob o efeito da Kaya?
Ora,
o que aparenta é que tudo isto só servirá para os que usam a planta. O que não
é verdade.
De
fato, devo confessar. O melhor período que passei de 2008 para cá foi aquele em
que parei com a Kaya. Não durou muito – uns quinze dias – mas estávamos tão
empolgados que nem chegamos a sentir falta dela. O que percebemos, neste
período, é que alcançamos uma “inédita” – na verdade, esquecida – estabilidade emocional.
E
o que eu chamo de contato não desapareceu, ao contrário, foi intensificado.
A
grande besteira é que, logo a seguir, animado pela facilidade do “sucesso”
resolvemos cortar o cigarro. Sem médico, sem nada, puxando da tomada.
Aí,
caímos no inferno.
Depois
de oito dias terríveis, voltamos ao cigarro e a Kaya, primeiro aos poucos,
depois até virar “tempo integral”, com poucas interrupções.
A
maior foi no ano passado e rendeu reports assustadores.
Agora,
sou um assumido viciado.
Isto
me incomoda profundamente.
Parece
que minha Obra está vindo da Kaya – e eu não poderia negar tal ideia, pois vivo
sob o efeito dela.
A
situação é difícil, amigo leitor, pois, toda vez que tento parar ela meio que
me sabota (como se eu estivesse cometendo um ato errôneo) e eu acabo voltando –
sempre feliz – para ela.
Num
caso desses, de conflito irresolúvel – onde, na verdade, nenhuma das opções me
fará feliz – a felicidade de um Kaya man está condicionada a ter ou não Kaya –
eu deverei usar um Oráculo, porque este mesmo aqui, não sabe.
Sim
a felicidade de um Kaya man, ou de uma Kaya Woman é muito semelhante à
felicidade de um alcoólatra ou de um fumante, com a diferença de que você
encontra estes produtos em qualquer esquina.
A
Kaya não. Corremos até risco de prisão, isto SE a encontrarmos.
O
que não considero vida, ou pelo menos, é uma vida bastante ruim: os altos e
baixos se sucedem como gloriosas subidas aos Himalaias – ou quem sabe o Olimpo - intercaladas com avalanches que nos deixam
inteiramente caídos e prostrados no gelo.
Eu
não sei se este “Novo Homem” está em condições de enfrentar este desafio, por
isto, jogarei o I Ching, o Oráculo de minha preferência e ver o que ele diz a
respeito disso.
Tema
de nossa próxima postagem.
Amantis.

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