NOVO HOMEM - POSTAGEM Nº 20
FICÇÃO: O CABO NO DIVÃ DO FUTURO
começa em:
20 de Fevereiro de 2014, quarta-feira, 02:30’ am
1. Falando Amantis de Zenith a todos os amigos que estão
acompanhando, com olhar complacente ou não, esta aventura.
2. Eu imagino o “Céu” como Paz de Espírito.
3. Talvez por ser o que busco.
4. Mas sei que o “Céu” é muito mais do que isto.
5. E é para lá que estou indo: para muito mais do que isto.
6. Sou como Phelix – ou o homem em geral - diante do Espelho, feito uma Alice, querendo saber do outro lado (pois sei que preciso dele).
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Amantis - 2014 - Felix no Espelho - díptico - tinta acrílica sobre tela.
obra em progresso. |
7. E o outro lado responde, mas como uma mulher.
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| Amantis, 1 Beijo - desenho - 12 de Fevereiro de 2014 |
P: É quando um
místico ou poeta,
Oculto no rolar
dos dias
Entra em chamas
na tarde de Hathor,
Mais forte que a
vida a Musa dá sinais,
E Aquele Pensante
se dá por vencido:
Mesmo ele quer
mais, muito mais.
- O Espelho Dela
é o Portal.
8. Este é o Romance
de Mercúrio
Se encontrando
Com a Mulher
Imortal.
9. ZENITH NEWS APRESENTA PARA TODA A GALÁXIA:
EXCLUSIVO!
UMA CONSULTA ABERTA NO CONSULTÓRIO DA DOUTORA
DOROTHY!
No Divã de Casal da Doutora Dorothy:
O Cabo, à Esquerda.
Dorothy, à Direita.
(podendo mudar de posição)
Quem é o Cabo: um sujeito evasivo, mais que misterioso.
Quem é Dorothy: Dorothy do Furacão é a Repórter mais Tenaz
da Galáxia. É também famosa por seu programa de TV “O Sofá Amarelo” onde faz
algumas entrevistas e workshops ao vivo.
Contudo, é conhecida é alguns lugares
da Galáxia como Doutora Delírio, uma psicóloga da linha “psicodélica” que
consegue extraordinários resultados. Aqui um exemplo de seus métodos
excêntricos, proibidos em alguns planetas mais atrasados.
A cena abre com uma deslumbrante vista do consultório, cheio
de plantas, fontes calmantes e obras de arte.
Veronica Bromová - Série Hathor - Gifts of the Nun
foto trabalhada digitalmente.
Em algum lugar daquele grande aposento está uma cama das
Arábias: é o que ela chama de Divã de Casal.
E lá estão eles, nosso alvo neste programa: Dorothy e o
Cabo, muito à vontade.
O Cabo: - Você é mesmo espantosa, Dorothy: cá estamos nós,
de novo! AMO seu consultório. Parece uma galeria de Arte. Olha só, tem até
instalação.
E você está sempre
renovando.
Dorothy: - Sou uma colecionadora compulsiva.
Quando não posso comprar o original, compro a reprodução.
Este Picasso, por exemplo, é apenas um cartão.
- Ah, sim, estou vendo. Bem, Dorothy, Não se pode querer
tudo. Importa pra mim e seus clientes é ter o que ver enquanto conversamos com
você.
Vamos pôr no ar as
obras do seu consultório enquanto conversamos?
- Você manda, meu Cabo, a consulta é sua.
- Delícia! Não há doutora como você.
- Não há mesmo.
Aqui eu sou Aquilo que te Ama.
As psicólogas da Terra ainda estão muito, muito longe disto.
E estou a seu inteiro dispor, meu Cabo & Poeta, que
chegou a mim como um réu confesso e agora se espraia em meu divã, bebendo do
Homem e da Mulher, como um Projeto do Futuro (Pepe Valente), como um Homem de Amanhã. Diga sem medo o que te trouxe aqui.
- Um evento estranho. Aliás, muito estranho. Mas que tem de
ser contado, eu creio.
- Conte para nós. Eventos
estranhos é minha especialidade.
- Que bom saber disso. Então, prepare-se.
Eu estava hoje trabalhando num quadro chamado “Phelix entre
Dois Espelhos”.
- Um daqueles em que o Masculino vê o Feminino?
- Exatamente. Mas, a essa altura da história não sabemos
mais quem é quem, pois ambos se equivalem nas pinturas que estou fazendo. E
começam a se multiplicar, como você pode ver.
- Hmm. Sim, Cabo! Muitos Phelixes
nesta pintura feliz.
- Sim, e eu estava feliz trabalhando na obra, enquanto
tocava a música The Friends of Mr. Cairo, de Jon Anderson e Vangelis, de 1981, que
é enorme e tem duas partes bem diferentes.
- Uma masculina e outra feminina?
- Nunca tinha pensado nisso! Mas, sim, eu diria que sim,
doutora. A primeira parte é mais forte, tem tiros e explosões e a segunda, tipo
balada, muito melódica e suave. Foi na segunda parte que o evento aconteceu.
- Que interessante.
- Você sabe. Estivemos muito envolvidos com esta música em
2012 quando fazíamos a história-reportagem Onda do Tempo Zero.
- Ah, sim. “Lunika”. Muito divertido!
- Lunika é Celline. É claro que você sabe disso, não?
- A esta altura, quem não sabe?
- Muito bem. Na segunda parte da música tem um momento em
que ele, Jon Anderson, canta as atrizes de cinema, todas as deusas - ou musas –
de sua adolescência. Aqui está.
I've seen love on the screen
I've seen a screen goddesss and me-oh
How often this, how often, this the power of you
And so, I must confess
Whatever I see
I'm meant to be there with you
With you with you
Silent golden movies, talkies, technicolour, long ago
My younger ways stand clearer, clearer than my footprints
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Dorothy. – Ai, o Jon. Escreve bem. É um poeta, mesmo. Veja
só isso, gente:
“Eu vi o amor na tela do cinema,
Eu vi a estrela das telas comigo – oh,
Quantas vezes, quantas vezes...
Este poder que você tem.
E eu confesso, o que quer que eu visse,
para mim era como se
eu estivesse lá
com você, com você.”
- Que bela confissão a do Jon, Cabo. E você, também era
assim?
- Oh, muitos meninos são assim, românticos, sonhadores,
Amantes da Deusa sem o saber. Na verdade, creio que sou até hoje um menino adorador da Deusa Ilimitada.
Destes que até na pornografia vêem algo sublime.
É uma chama que não morre o ardor pela Deusa, vem de tempos
remotos, está no fundo da gente, como se no centro da Terra.
E no Coração, Meu Amor, no Coração o Único Amor.
- Bom ouvir isto, Cabo; porque aqui, você sabe, Eu sou uma destas mulheres que sabe ser a
Deusa. Como nos tempos antigos. Mas retomado, sob outro ponto de vista.
Afinal,
a mulher de hoje pode saber mais, pode ser mais, alcançar MAIS. E o homem, também. Até mesmo pela razão podemos entrar no assunto do transcendente - as vias parecem infinitas.
- Felizmente, Doutora, o Amor continua completamente irracional.
- Verdade, meu encantador mancebo. Oh, como anseio por tua Lira... Mas posso esperar. Quero que nos conte enfim o EvenTo EsTranho.
- Sim, minha musa. Deixe-me por aqui a música do Jon e do Vangelis: The Friends of Mr. Cairo. Sabe, eu estou pensando em pôr este disco em minha Cápsula do Tempo.
- Você TEM uma "Cápsula do Tempo"?
- Hmm. Estou fazendo uma, sabe. Do meu jeito.
- Sei.
(A música começa a tocar)
Quando chega a parte II, mais feminina, o Cabo fala a Dorothy.
- Você pode continuar na tradução que estava fazendo, Doutora. Até o final, agora.
“Eu vi o amor na tela do cinema,
Eu vi a estrela das telas comigo – oh,
Quantas vezes, quantas vezes...
Este poder que você tem.
E eu confesso, o que quer que eu visse,
para mim era como se eu estivesse lá
com você, com você.
"O Dourado Cinema Mudo, as primeira Falas,
Tecnicolour, há muito tempo,
meus caminhos de juventude permanecem claros
mais claros que minhas pegadas."
Oh, devo dizer de novo. Que bonito, gente. O Jon é fantástico.
O Cabo:
- Foi nesse momento, Dorothy, eu estava pintando o quadro,

viajando no seu jogo de reflexos & trocas enquanto ouvia a música. Por alguma razão eu peguei de ouvido esta parte da letra, e quando imaginei as pegadas de nosso pequeno Jon na areia - você sabe, ele é bem baixinho - então, quando imaginei as pequenas pegadas do Jon na areia... como vou dizer? ...Celline entrou em êxtase dentro de mim. Foi assim, simplesmente assim, doutora.
E agora que contei esta história, posso descansar.
O Cabo olha então para o lado, para sua médica, sua real salvação, e vê que ela havia entrado em transe.
- Dorothy?
Ela responde apenas "Al Binah", e o Cabo, sentindo a energia crescer exponencialmente, resolve ilustrar aquele estranhíssimo e extraterrestre momento.
E lá está ela, longe em suas alturas, trazendo mensagens do Céu.
De um Céu Interior.
Ele sabe do que ela está falando. "Al Binah" é o nome real daquela que é na Terra conhecida como "A Raposa Idiota".
Na verdade, NINGÚEM sabe disso. A História de Al Binah é completamente desconhecida do Mundo, fechada que está em cadernos empoeirados esquecidos em estantes que lembram palheiros.
O Cabo sente um real constrangimento por não ter aquele momento publicado A História de Al Binah, a Raposa Idiota, pois ela foi escrita por ele.
Ele se promete então fazer um Blog para A Raposa Idiota, pois o Mundo amará, ele o sentiu quando Ela (agora como Deusa) o disse.
- Al Binah - ele diz - sua história será contada. Será minha Tarefa Sagrada deste Carnaval.
Assim ele o disse, percebendo que, daqui por diante, todo Carnaval teria uma "Tarefa Sagrada".
(que Bacana! - Dorothy diz, lá de dentro Dela)
Feliz por ter feito mais uma invenção, ele, tal como Adão, se recosta num pedaço do Paraíso, e acha a Vida maravilhosa.
Ainda mais maravilhosa do que ele já achava.
Eles, que o vêem e o sabem como uma espécie de multi-prisioneiro, não entendem.
Em suas roupas está escrito "fracasso".
A sorte é que O Louco não liga. São apenas roupas, disso ele sabe muito bem.
"É preciso chegar ao Nada para se ter plenamente a Tudo", ele divaga enquando a Doutora permanece em seu transe, que é sagrado, então ele permanece calado.
- Obrigada, Cabo (ela finalmente diz, ainda de olhos fechados), as pegadas do Jon são o que há de mais encantador em todo o Universo. Ai... E eu nem sei porquê. Cabo, Cabo, eu me enterneço, eu transbordo como um vulcão, ou uma cachoeira, um sol em explosão... só de imaginar as pegadas do Jon.
Assim Ela se foi, em êxtase,
e neste êxtase, eu Fui um
com Ela.
Amantis ( H.S.U. )