sábado, 11 de janeiro de 2014

23. Novo Homem 5 - PINTURA

Dentro deste novo Lugar, dentro deste novo Ponto de Vista, que, de certa forma fui forçado a adquirir devido às circunstâncias narradas aqui, resolvemos fazer um experimento em pintura.

Como está na postagem anterior eu procuraria um modo de simplificar o ato de pintar de maneira a que ele servisse a meu propósito, que seria meditar ou "buscar uma fusão com o Self" durante o ato de pintar.

A única ideia que tive a principio foi fazer o fundo de uma única cor e desenhar alguma coisa sobre este fundo, com traços finos, pontos de tinta e tracejados, estando bem presente em cada ato, e respirando.

Comecemos com o fundo. Peguei um começo de quadro que não gostei aqui e resolvi pintar um fundo por cima.

Pensei numa cor intermediária, nem muito escura, nem muito clara, de modo a que cores claras e escuras aparecessem sobre o fundo, e fui procurando entre as que tinha.

Um frissom quando peguei o vermelho. Mas achei escandaloso. Tentei um verde oliva. Tinta muito fina, com pouca cobertura. Então ocorreu-me este explêndido pensamento: 

- Ora, se POSSO USAR O VERMELHO, porque não usar o Vermelho? (como o Siron Franco)
Pintura de Siron Franco

Entenda, amigo leitor, um quadro é uma objeto, é grande no espaço em relação aos desenhos que faço, geralmente pequenos. 

Um objeto vermelho daquele tamanho é um verdadeiro evento em qualquer ambiente. 

Imediatemente fui remetido ao "Espelho de Carne", mini-obra de 1996, que me fez decidir ser pintor.

E porquê?

Porque eu gostei demais daquilo. 

E digo mais, pelo meu ponto de vista de hoje, mexer com tintas e quadros, ou mesmo objetos seria a atividade "mais feliz do mundo". 

Não há explicação para isso, assim como não há para o sexo. Aliás, existe uma relação entre estes mistérios - que também trasncendem à razão - e que remontam à pré-história.

O que acontece? A quantidade de eventos e mudanças presentes numa única pincelada absorve o Ser por completo. Tinha me esquecido deste detalhe que é o da Riqueza da pintura.

E a Respiração, o Envolvimento se torna fácil, e não difícil dentro de toda essa riqueza não só da cor, mas também dos volumes da tinta acrílica, que é pastosa, que é uma matéria viva (porque intensamente colorida) e maleável e que, pura, brilhante, ainda úmida, deslumbra ao olhar.

Perto de terminar esta "catedral" Jorge Guinle Filho bem poderia estar em êxtase:
Jorge Guinle Filho - Óleo sobre Tela
Êxtases sucessivos, aliás, ao ver no que ele transformara uma tela branca.

Mostraremos agora o que fizemos hoje (há pouco).

Antes devo dizer que este trabalho já nasceu com um nome: Auto-Retrato como um Místico Desvairado.

Nossa intenção, entretanto, era, a princípio, fazer apenas um fundo vermelho.


Aqui eu pensei em dividir o fundo em duas partes, abaixo uma paisagem, em branco, do tipo lunar.
Acima, um céu vermelho. Já via uma das crateras desta "lua" à esquerda na pintura.
 Mas resolvi fazer o fundo completo, para ter mais liberdade na segunda etapa, sem me preocupar em nada com o fundo.
                   
Contudo, parei novamente quanto vi um golfinjo nessas pinceladas. Quis evidenciar o Golfinho - que simboliza a mente inquieta, bem como está a minha agora e o resultado, creio que foi um pato.



                   Absolutamente insatisfeito com este resultado resolvi terminar o fundo vermelho.
 Parei quando vi um perfil terminando essa grande muralha vermelha. Pareceu-me realmente o retrato de um mistico desvairado. Contudo, não gostei, e segui adiante, mexendo e mexendo até parar no estágio abaixo.

 Isto me pareceu interessante. O trabalho seguirá daqui.








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