Como está na postagem anterior eu procuraria um modo de simplificar o ato de pintar de maneira a que ele servisse a meu propósito, que seria meditar ou "buscar uma fusão com o Self" durante o ato de pintar.
A única ideia que tive a principio foi fazer o fundo de uma única cor e desenhar alguma coisa sobre este fundo, com traços finos, pontos de tinta e tracejados, estando bem presente em cada ato, e respirando.
Comecemos com o fundo. Peguei um começo de quadro que não gostei aqui e resolvi pintar um fundo por cima.
Pensei numa cor intermediária, nem muito escura, nem muito clara, de modo a que cores claras e escuras aparecessem sobre o fundo, e fui procurando entre as que tinha.
Um frissom quando peguei o vermelho. Mas achei escandaloso. Tentei um verde oliva. Tinta muito fina, com pouca cobertura. Então ocorreu-me este explêndido pensamento:
- Ora, se POSSO USAR O VERMELHO, porque não usar o Vermelho? (como o Siron Franco)
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| Pintura de Siron Franco |
Entenda, amigo leitor, um quadro é uma objeto, é grande no espaço em relação aos desenhos que faço, geralmente pequenos.
Um objeto vermelho daquele tamanho é um verdadeiro evento em qualquer ambiente.
Imediatemente fui remetido ao "Espelho de Carne", mini-obra de 1996, que me fez decidir ser pintor.
E porquê?
Porque eu gostei demais daquilo.
E digo mais, pelo meu ponto de vista de hoje, mexer com tintas e quadros, ou mesmo objetos seria a atividade "mais feliz do mundo".
Não há explicação para isso, assim como não há para o sexo. Aliás, existe uma relação entre estes mistérios - que também trasncendem à razão - e que remontam à pré-história.
O que acontece? A quantidade de eventos e mudanças presentes numa única pincelada absorve o Ser por completo. Tinha me esquecido deste detalhe que é o da Riqueza da pintura.
E a Respiração, o Envolvimento se torna fácil, e não difícil dentro de toda essa riqueza não só da cor, mas também dos volumes da tinta acrílica, que é pastosa, que é uma matéria viva (porque intensamente colorida) e maleável e que, pura, brilhante, ainda úmida, deslumbra ao olhar.
Perto de terminar esta "catedral" Jorge Guinle Filho bem poderia estar em êxtase:
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| Jorge Guinle Filho - Óleo sobre Tela |
Mostraremos agora o que fizemos hoje (há pouco).
Antes devo dizer que este trabalho já nasceu com um nome: Auto-Retrato como um Místico Desvairado.
Nossa intenção, entretanto, era, a princípio, fazer apenas um fundo vermelho.
Aqui eu pensei em dividir o fundo em duas partes, abaixo uma paisagem, em branco, do tipo lunar.
Acima, um céu vermelho. Já via uma das crateras desta "lua" à esquerda na pintura.
Mas resolvi fazer o fundo completo, para ter mais liberdade na segunda etapa, sem me preocupar em nada com o fundo.
Contudo, parei novamente quanto vi um golfinjo nessas pinceladas. Quis evidenciar o Golfinho - que simboliza a mente inquieta, bem como está a minha agora e o resultado, creio que foi um pato.
Parei quando vi um perfil terminando essa grande muralha vermelha. Pareceu-me realmente o retrato de um mistico desvairado. Contudo, não gostei, e segui adiante, mexendo e mexendo até parar no estágio abaixo.
Isto me pareceu interessante. O trabalho seguirá daqui.







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